Crítica à Intelectualidade Alemã

172 Seiten, Taschenbuch
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Kurzbeschreibung des Verlags

Publicado em 1919, logo após o fim da Primeira Guerra Mundial, Crítica à Intelectualidade Alemã é uma das obras mais contundentes de Hugo Ball, escritor, pensador católico e uma das figuras centrais do dadaísmo.

Neste livro, Ball parte da pergunta que atravessou a Europa depois de 1914: como a cultura alemã, tão orgulhosa de sua filosofia, de sua música, de sua teologia e de sua literatura, pôde colocar-se a serviço da guerra, do Estado militar e da obediência nacionalista? Sua resposta é dura: a "ideia do Estado alemão" teria destruído o pensamento alemão.

A crítica de Ball não se limita aos governos das Potências Centrais nem aos responsáveis imediatos pela guerra. Seu alvo é mais profundo: a tradição intelectual, religiosa e política que, segundo ele, preparou e sustentou a submissão da inteligência à autoridade. De Lutero a Hegel, de Fichte a Bismarck, dos professores aos pastores, dos poetas aos eruditos, Ball investiga as formas pelas quais filosofia, teologia, romantismo, idealismo e nacionalismo foram mobilizados para justificar poder, violência e servidão.

Escrito em tom intenso, muitas vezes implacável, o livro combina ensaio histórico, acusação moral, crítica religiosa e reflexão política. Contra a Alemanha imperial, Ball contrapõe uma ideia europeia e cristã de liberdade, humildade e responsabilidade espiritual. Para ele, não bastava derrotar militarmente o autoritarismo prussiano-alemão: era preciso compreender as forças históricas e mentais que o haviam tornado possível.

Obra de combate, mas não simples panfleto, Crítica à Intelectualidade Alemã revela um Hugo Ball muito diferente da imagem usual do artista dadaísta. Aqui aparece o pensador religioso e político, preocupado com a culpa, a liberdade, a Europa, a guerra e o destino moral da inteligência.

Esta edição apresenta ao leitor brasileiro um texto fundamental para compreender as tensões entre cultura e poder, pensamento e Estado, espiritualidade e nacionalismo no início do século XX.